Ele endireita a tortura da nossa alma

Coluna: Emoção e Fé

Por Cindi Angelo

 

Os tempos são outros. Gasta-se mais tempo com coisas do que com pessoas. Valemos por aquilo que aparentamos ser ou pela possibilidade do que poderemos oferecer. Temos que ter o cuidado de ninguém nos convencer que valemos menos que aquilo que Deus pagou: seu próprio filho!

 

Vivemos num mundo de pessoas deformadas! Sim, deformadas! Cruzamos com tantas pessoas sem ao menos percebermos que por trás do sorriso, do rosto bonito e bem produzido, de um corpo escultural e saudável, há uma pessoa em grande sofrimento e angústia. A dor da alma nem sempre é visível aos que andam tão ocupados com a sua própria vida. Só vê a dor do outro quem se importa, quem se doa, quem está pronto para ouvir.

Quando falamos um “bom dia” pra alguém, não pensamos que se a resposta for: “Não está nada bem”, será honroso adiarmos o nosso “urgente” para darmos atenção ao que é mais importante naquele momento. Não, quase ninguém faria isso, afinal, saudamos as pessoas sem diminuirmos os nossos passos. Temos pressa! O relógio não espera! Vivemos num mundo apressado com o que é urgente e nos esquecemos do que é essencial: os relacionamentos, as pessoas.

Jesus estava no templo num sábado, quando entrou uma mulher encurvada. Ela andou assim, com o peso do mundo sobre ela por dezoito anos. Ele mesmo disse que ela era “filha de Abraão”, ou seja, “filha da fé, filha de Deus”, mas isso não impediu que satanás a mantivesse presa por tanto tempo.

Não sabemos como começou a sua tortura, mas é certo que a tortura que se fazia ver no seu corpo, estava também na sua alma, no seu espírito. O inimigo de Deus a manteve presa, e isso é suficiente para percebermos que algo de muito doloroso aconteceu na sua vida para que ela vivesse naquele estado por dezoito anos. Talvez um trauma, uma perda, uma frustração, uma infidelidade, uma doença, o abandono da família, a falência nos negócios, a vergonha que gerou dor… podem ter sido tantos os motivos.

Em Lucas 13:11, lemos: “E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; e andava curvada, e não podia de modo algum endireitar-se”. O que me chama a atenção é que com toda a sua dor, ela foi à procura de Deus, ela venceu a vergonha, os olhares críticos e foi em busca do alívio para o seu coração. E ela foi encontrada por Ele! Jesus estava lá, e Ele a encontrou. Ele é tão diferente das pessoas, é tão amoroso, tão atencioso, que nunca deixa de socorrer quem está em sofrimento. Nos versos 12 e 13 vemos: “E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade. E pôs as mãos sobre ela, e logo se endireitou, e glorificava a Deus”.

Talvez o que tenha causado essa tortura na vida dela tenha sido a própria religião, porque muitos religiosos vendo a sua cura, se levantaram contra Jesus por tê-la
ajudado num dia de sábado. A religião pode escravizar, oprimir, sufocar uma pessoa ao ponto dela não encontrar na vida prazer para viver. Jesus levantou-se contra eles e disse: “Hipócritas, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi, ou jumento, e não o leva a beber? E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos satanás tinha presa?” (Lc 13:15-16). Eles davam mais importância aos animais do que aos sofrimentos das pessoas.

Talvez você esteja a passar por momentos tão difíceis que sente como se um peso do tamanho do mundo estivesse sobre os seus ombros; por isso, tem sentido o peso do acúmulo dos problemas pessoais, emocionais, familiares, profissionais ou ministeriais. Mas Jesus quer tirar a tortura da sua alma como fez com aquela mulher “sem nome”. Ele olhou para ela e a viu como uma mulher que voltaria a ter prazer em se arrumar, em se cuidar, em se maquiar, em se relacionar. Ela estava no lugar certo, na hora certa e diante da pessoa certa.

E você, para onde tem corrido a fim de sentir paz? Em nenhum outro lugar poderá encontrar essa paz que tanto procura, e o valor e a dignidade que tanto merece, a não ser em Jesus. Corre para Ele hoje, agora, onde estiver, e sentirá a sua doce presença acalmando o seu agitado coração.

Shalom!

Cindi Angelo, licenciada em teologia, escritora e pastora. Participa do ministério Free Methodist World Missions.

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